
Oi pessoal, faz tempo que tento sentar e escrever um pouco, mas não tem sido fácil encontrar esse tempo. O tempo aqui parece que passa mais rápido, rs(brincadeira). Bem, pra colocar as notícias em dia, vou fazer um balanço desses 3 primeiros meses de Canadá. Para facilitar, vou escrever em tópicos:
1) O inverno: quando decidimos vir ainda no segundo semestre, nosso objetivo era chegar aqui no máximo no início do inverno e irmos nos adaptando aos poucos. Como não conseguimos o visto antes, chegamos aqui no finalzinho do outono. Nos primeiros dias, achamos que estava frio, creio que na semana que chegamos a temperatura estava na casa dos 13 graus. Mas na medida que o inverno foi chegando e as temperaturas decescendo, vimos que ainda não sabíamos o que era o frio canadense. Confesso que fui ficando muito apreensiva e com medo das semanas gélidas onde os termômetros marcam -30 ou menos. Eu estava me preparando para que o pior período fosse em janeiro e em fevereiro. Bem, o que posso dizer é que pra surpresa de muitos canadenses, o mês de dezembro foi muito mais frio do que o normal e enfrentamos semanas com as tais temperaturas tão temidas: -28, -33, isso sem falar da feels like, que diminui ainda mais essa marcação. Gente é muito frio sim, mas se você tiver um bom kit de inverno(segunda pele, gorro, um bom casaco, uma boa luva, uma boa bota e no meu caso um par de meias com 80% wool), dá pra aguentar tranquilo. Agora eu preciso dizer que não precisei nenhuma vez ficar muito tempo exposta ao frio, caminhando, esperando ônibus na parada, ou coisas assim. Sei que quem precisa se expor assim, tem uma outra opinião a respeito do frio. Mas uma boa notícia, é que aqui em Calgary contamos com a ajuda do Chinook que traz um alívio no meio do inverno, fazendo as temperaturas ficarem positivas, chegando até 12 graus algumas vezes. Quando fica acima de zero, já achamos uma maravilha, eu digo que está “quentinho”,rs. Resumindo tivemos a visita abençoada do Chinook em janeiro e em fevereiro, de forma que estes meses têm sido bem tranquilos de aguentar e bem melhores do que dezembro. Sinceramente, o meu primeiro inverno aqui tem sido muito bom, não tenho nada do que reclamar. Ainda teremos mais seis semanas de inverno, agora estou me despedindo dele e cheia de boas expctativas com a primavera. Não vejo a hora de sentir o cheirinho das flores e ver o verdinho da grama.
2) Emprego: muitas pessoas tem nos perguntado como está a questão de emprego aqui. Nós ainda estamos olhando a coisa um pouco de fora, pois o André ainda não está trabalhando na área dele. Mas o que posso dizer é que ele tem batalhado muito por isso. Novembro foi o mês da nossa estruturação, busca por moradia, roupas, escolas, documentação, etc. Em dezembro, o Andre começou a fazer as aplicações para empregos, mas as ligações pararam completamente por volta do dia 15. Ele conseguiu um emprego provisório neste período e permanece lá até hoje. Em janeiro, ele resolveu fazer um work shop de duas semanas de duração, sobre o mercado de trabalho, preparação de currículos, entrevistas, etc. Ele gostou muito! E depois disso, ele está o dia todo, todos os dias, trabalhando na sua busca pelo primeiro emprego canadense, na área dele. Já sabíamos que as coisas não acontecem da noite pro dia aqui, as coisas são muito lentas nessa àrea, mas estamos confiantes que existem muitas oportunidades ainda, apesar da crise, e de que no tempo certo, Deus abrirá uma porta pra ele.
3) Escola: Os meninos estão estudando em uma escola que não fica no nosso bairro. Quando chegamos aqui fomos conhecer uma escola que eu já tinha visto pelo site e tinha me apaixonado pela proposta (o foco desta escola é aprendizagem através dos diversos tipos de artes). Fui ver mais umas duas escolas em SW onde decidimos que queríamos morar, mas depois que conheci a escola que os meninos estão hoje, me apaixonei. A diretora, que nos recebeu muiiiiiiiiiito bem, disse que eles poderiam estudar lá mesmo não morando na àrea(NW), então decidimos fazer o “sacrifício” de ter que ir deixar e pegar os meninos, de carro, todos os dias( igual como fazíamos no Brasil). Gastamos em torno 12 minutos até lá e o trânsito é tranquilo. Cada dia que passa fico mais feliz com a nossa escolha. Os meninos estão adaptados, adoram a escola, começam a formar suas primeiras frases em Inglês e já entendem muita coisa do que é dito.
4) Adaptação: Nossa adaptação tem sido tranquila. Não temos tido dificuldades com comida, pois aqui tem quase tudo que temos no Brasil. Ainda tem a loja Brasil com “s”, de um casal brasileiro, que conhecemos na Comunidade Cristãos Brasileiros em Calgary. Lá você encontra várias coisas que não tem nos supermercados daqui, tipo farinha, leite Ninho, farinha láctea, pão de queijo, etc.
Outra coisa que ajudou muito também na nossa adaptação, foi o fato de já termos alguns amigos aqui, que acabaram nos apresentando à outros, e assim formamos uma rede de bons amigos. Isso tem feito uma diferença enorme pra nós, porque temos o privilégio de ouvir nosso telefone tocar de vez em quando e recebermos um convite pra fazermos alguma coisa. Outra coisa é que esses amigos tem nos apoiado bastante de diversas formas, é como uma “corrente do bem”. Temos agradecido muito a Deus por termos esse privilégio aqui.
5) A cidade: algumas pessoas me perguntam o que estou achando de Calgary. Quando nós entramos no processo de imigração, eu ficava buscando uma cidade ideal aqui no Canadá. Pensei em várias cidades, menos em Calgary. Resisti muito à idéia de morar aqui há um tempo atrás. Eu queria uma cidade mais pro estilo de Montreal, Quebéc, Otawa e Vancouver. Mas por uma série de motivos, acabei me rendendo `a Calgary, até porque o André só olhava pra ela,rs. Existem uma série de coisas que encontrei aqui que me fizeram gostar cada vez mais da cidade. Hoje vejo que existem muitas coisas mais importantes do que a beleza da cidade, que devem ser consideradas,mas Calgary também é uma cidade bonita. A cada dia conheço um pouco mais da cidade e gosto cada vez mais, tanto pelo que ela é, como por tudo o que ela tem nos agregado.
Bem é isso, sei que ficou longo o post, mas é que é difícil resumir tantas experiências em poucas palavras. Até o próximo post, espero que com boas notícias…