Ontem, foi o dia das Mães. Sei que essa é uma data puramente comercial, mas assim como as outras, podemos aproveitar para fazer algumas reflexões. Tenho aproveitado estas datas para estar em família, homenagear sinceramente aquelas que dedicaram suas vidas e ainda se dedicam de certa forma, às nossas vidas: minha mãe e minha sogra. Este ano queria que tivesse sido um pouco diferente do que foi, pois meus filhos pegaram uma virose muito chata na semana que antecedeu o dia das mães, minha mãe pegou a tal, justamente na sexta anterior, e moça que me ajuda aqui em casa também. Dá pra imaginar? Pois é, foi uma loucura minha semana. Mas apesar das viroses, tive momentos especiais e únicos de conversa com meus filhos. Como eles não estavam indo pra escola, ficamos muito tempo juntos. Eles têm apenas 4 aninhos, quase 5, e têm me surpreendido a cada dia com seus comentários e percepções sobre a vida de um modo geral. Sinto uma alegria enorme em poder estar por perto para ouvir estas conversinhas entre eles, ou de estar disponível para responder suas perguntas( e olhe que são muuuiiiiiitas!). Sinto-me presenteada quando escuto fácilmente : “mamãe eu te amo” ou ” mamãe você é mãe mais linda do mundo” ou “mamãe eu amo ficar com minha família”. Sinto-me presenteada quando vejo que nossos ensinamentos estão dando seus frutos. Ensinar valores, não é uma tarefa fácil, nem tão pouco delegável. Dá trabalho, muito trabalho, mas quando vemos nossos filhos colocando-os em prática, dá uma sensação muito gostosa e penso: valeu a pena!
Sou pedagoga, e trabalhei mais de 10 anos direto dentro de escola. Como eu era supervisora, trabalhava muito com as famílias. Sabe o que vi durantes estes anos ? Vi cada vez mais crianças sendo “educadas” pelas babás, pais cada vez mais ausentes e crianças pequenas sendo entregues a outros, que não pai e mãe. Sei que muitas vezes, essa é uma imposição da situação econômica das famílias, do nosso País, mas na maioria das vezes, não era esse o motivo que roubava o tempo dos pais com seus filhos. Fico perplexa quando vou à praia ou ao shopping ou em qualquer outro lugar de lazer e vejo os pais fazendo qualquer outra coisa, e a babá brincando ou carregando o filho. Quando se tem mais de um filho, até relevo, e entendo que é uma ajudinha bem vinda, mas canso de ver os pais em situações em que eles sozinhos poderiam dar conta do “recado” e mesmo assim preferem entregar seus filhos para as babás fazerem. Fico muito triste! Esse tempo voa e não volta jamais! Haverá o tempo em que eles não vão mais querer estar conosco, ficar no nosso colo, deixar que lhe demos banho, etc. Já tive babás, com gêmeos, é praticamente impossível não precisar dessa ajuda, mas sempre que podíamos, éramos nós, eu e o André que estávamos interagindo com nossos filhos. Na medida que eles foram crescendo, fomos afastando as babás… Se fazemos a opção de ter filhos, temos que estar preparados pra essa decisão. Repito, não sou contra se ter ajuda de terceiros na educação dos filhos, mas sou contra a transferência do papel de pais para quem quer que seja, sou contra a ausência dos pais, sou contra a falta de objetivos na educação dos filhos… Já vi muitas crianças com problemas, uns mais sérios, outros mais simples, por conta desse fenômeno que toma conta da nossa sociedade. Atualmente estou sem trabalhar por escolha minha, decidi dar uma parada, me dedicar mais ainda aos meninos que estavam numa fase de testar os limites que lhe eram dados. Foi uma decisão muito difícil, mas precisava ser coerente com aquilo que eu acredito: minha responsabilidade maior é a educação dos meus filhos, e não a dos filhos dos outros. Nunca fui uma mãe ausente, nem o André, mas mesmo assim, vi que eles precisavam de mais do meu tempo. Fizemos alguns sacrifícios, abrimos mão de um carro, mas não me arrependo de jeito nenhum. Vejo os frutos disso. Quando puder voltar a trabalhar, voltarei, afinal, gosto muito do que faço, mas sempre procurarei manter o equilíbrio. Sei que no Canadá, terei que trabalhar, e até desejo ter essa experiência, mas não quero abrir mão de ter esses momentos especiais com meus meninos. Não quero deixar de lhes ensinar nossos valores, não quero deixar jamais, de ter tempo de qualidade e em quantidade com eles. Desejo ter sempre um coração que valoriza ser mãe.
Amei seu post! Estou prestes a ter minha primeira filha e faz um tempo que parei de trabalhar, por ter mudado de cidade e ser de uma área bastante complicada para se arrumar emprego (sou dentista). Mas estava há pouco falando com minha irmã, dizendo que queria mudar de profissão, ter um trabalho, sair de casa, quando li seu post, que me fez refletir sobre o assunto. O que pra mim pode parecer uma tortura, na verdade é um presente de Deus. Poder ter tempo para me dedicar à minha filha, ter essa pausa e refletir, na verdade é mais do que uma grande oportunidade.
Acho que a educação de nossos filhos e a dedicação à nossa família é uma bênção.
Bjs
Amei o seu post, ou melhor, seu ponto de vista. Somos da mesma cidade e é verdade: aqui quase todo mundo anda com a babá pra cima e para baixo, sábados, domingos e feriados! Muitas vezes sem necessidade… Parece que os pais não querem mais “pegar no pesado”, triste isso!
Na verdade, tivemos por pouquíssimo tempo a figura da babá prorpiamente dita. Não deu certo, era caro e não compensava. Hoje, somos só nós três (eu, Daniel e Gabi) e a Jaq (diarista) que vem agora somente duas vezes na semana. As vezes é uma confusão, mas no geral estamos nos virando muito bem. Tomamos essa decisão por motivos não só de economia, mas também para nos adaptarmos logo a nossa futura realidade lá no Candá. E digo também: vale muito a pena acompanhar de pertinho o crescimento dos nossos pequenos.
Continuo trabalhando só que em casa. Acho um privilégio, apesar de reclamar do cansaço. Hoje pude ficar na escolinha da Gabi pra ver uma apresentação da truminha dela, resultado: só tinha eu de mãe. Ninguém pode ir, certamente por causa do trabalho. Nessas horas vejo que não tem preço esse momento que estamos passando, eu e o Daniel, bem juntinhos da Gabi.
Um abraço…
Raquel,
Acho que este “teste” é muito válido, pois acabamos nos acostumando com essa “mordomia” e se não tomarmos cuidado, ficamos dependentes deste serviço que está cada vez mais difícil e caro. E no Canadá, como em muitos países de primeiro mundo, este tipo de serviço é caríssimo, é só pra gente rica mesmo. Nosso apartamento aqui é antigo, portanto é meio grandinho, fica muito complicado não ter esse tipo de ajuda. Tenho uma moça que me ajuda todos os dias, mas só; quem cuida dos meninos sou eu mesma. Lá no Canadá,quero um apartamento pequeno, aconchegante e fácil de limpar!
É isso que sempre pensei sobre educar um filho. Enquanto eu me sentia FELIZ por estar com o João Luiz, as pessoas me faziam sentir culpa por não ser a maior advogada “do mundo”, não ter passado em um concurso, não nadar em dinheiro, não poder viajar para o exterior, etc. Por isso, mais do que nunca, eu vejo em tudo a mão de Deus. Enquanto eu cuidava do meu filho, Deus cuidava de mim como sua filha. Filha amada. E continua fazendo isso até hoje. Qual o filho que pedindo pão do Pai recebe pedra ? Por isso, como filha amada, a cada dia tenho buscado testemunhar do amor de Deus, principalmente aqui na Espanha… Já falei de JESUS para budista, muçulmano, e quem mais me perguntar a razão da ESPERANCA que há em mim… Nem de longe somos pais como o Pai que temos… mas a cada dia busco fazer o MELHOR.
[...] Karina do Blog Eu e Minha Casa, postou um artigo chamado “um coração que valoriza ser mãe”, já há alguns dias. O Casal Karina e André vai imigrar também. Eles são daqui de Fortaleza e [...]
Olá Karina,
vc esceveu exatamente o que penso em tudo. Também parei de trabalhar pra me dedicar à tarefa de ser mãe e apesar dos sacrificios e das muitas cobranças que tenho sofrido não me arrependo um só minuto. Fico muito triste também quando vejo pais ausentes e crianças lagadas nas mãos de terceiros. Acho que as pessoas confundem muito ajudar com delegar. Uma pessoa pra ajudar é sempre bem vinda e muitas vezes imprescindivel, mas o que vejo constantemente são mães que mal conhecem seus filhos, que não têm intimidade nenhuma com eles.
O Sergio me ajuda muito também e a cada dia temos mais certeza de que estamos no caminho certo. Tenho certeza que grande parte dos problemas que os jovens trazem para casa estão realcionados com a ausencia dos pais nas suas vidas.
parabens pelo post.
Marilena
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